Navio Negreiro

A noite mais longa da História

Os nossos ancestrais que sobraram

Puderam nos contar.

Ouviam se urros de guerra

E o navio abarrotado zarpar.

Sem saber o que os esperavam

Nas longíguas terras do além mar

Uns se enforcavam e outros diziam

Este navio precisa naufragar.

 

O olhar distante sem esperança

Com a alma aflita a pensar

Só restavam as lembranças

Da boa terra e do bom lugar.

Usaram nosso cancioneiro

Pra suas vidas alegrar.

Por crueldade fizeram

Nossos filhos prisioneiros

Sem crimes praticar.

 

Construindo posses nessas terras

Como escravos a trabalhar

E os estrangeiros que chegaram

Fizeram usurpar.

Por medo que fugíssemos

Tomaram precauções

Por salários os cassetetes

Com correntes cangas e ferro

Amarraram pés e mãos.

 

Mais de quinhentos anos se passaram

Não saímos do lugar

Estamos marginalizados

Nas favelas a morar

Deram nos cestas básicas

Pra nossas vozes calar

Espoliaram tudo

Podemos constatar

Que jamais seremos livres

E felizes sem nossa sorte restaurar.

 

O nosso brado de guerra

Está próximo de acontecer

Pois nosso povo é valente

Todos hão de reconhecer

Não é racismo inverso

Pela justiça de Deus

No esplêndido Universo

Cada um tem sua vez.

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Tanto Faz

Por mim tanto faz

Subir ou descer a ladeira

Debaixo de chuva ou de sol

Sou filha de Lavadeira.

 

Por mim tanto faz

Fazer festança no Natal

Ou comer bolo ou sopa

Com garfinhos ou colher de pau

 

Por mim tanto Faz

Tomar sorvete ou chupar picolé

A água subir ou descer

Sentar na esquina ou fazer role.

 

Por mim tanto faz

Aquecer no sol ou gelar de frio

A cotação de o dólar subir

Ou córrego virar verdadeiro rio

 

Por mim tanto faz

Sonhar acordado

Ou dormir primeiro

E imaginar depois.

 

Por mim tanto faz

Cantar ou lamentar

A vida acoiteira

O salário curto do mês.

Por mim tanto faz

Tantas coisas mais

 

Por mim tanto faz

Ir de ônibus e voltar de trem

Estou preparada pra vida

Entrei no vai e vem

 

Por mim tanto faz

Comer jabá ou caviar

No prato ou na panela

Agradeço o que tomar


Por mim tanto faz rir ou chorar

Por mim tanto faz...

Feijão com arroz

Onde come um comem dois.

Por mim tanto faz

Tantas coisas mais

 

Por mim tanto faz

Ser branca ou ser negra

A sina da mulher

É injustiça enfrentar

Isso vem me exaltar

Ser filha de lavadeira

Isso vem me exaltar






Enfrente

Enfrente o ciúme disfarçado

Atrás da prepotência

O medo ignorado —  enfrente

 

Desejar a conveniência

Adotar a fantasia

Possessão doentia — Injusta relevância

Ainda que duvide —  Enfrente!

Ainda que chore — Enfrente!

Ainda que adoeça  — Enfrente!

Ainda que não te reconheça — Enfrente!

 

Mesmo com água na boca — Cale!

Mesmo com a ferida insana — Deite!

Mesmo com a mente vazia — Lembre!

Mesmo com o braço estendido — Cruze!

Mesmo com a voz embargada — Suavize!

Mesmo com os dedos em riste — Sente!

Mesmo com coração saltando — Acalme!

Mesmo com o pavio curto — Estique!

 

Ainda que sorriam de ti

Ainda que te menosprezem

Ainda que digam — És vazia!

Ainda que digam — És tola!

Enfrente!

Siga em frente!

A estrada é longa

Alinhe-se ao tempo

Não seja tonta

No final da caminhada

Há recompensa

Sem mais decepção, vitória

Nenhuma desilusão; coroa de Glória

Pra quem enfrentou

Pra quem despojou.





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Direitos e Deveres ao Votar



 A história é essa todo mundo sabe que o poder emana do povo e ainda se assustam quando nosso grito se faz valer.

Tenho uma coisa a dizer em relação a união do povão; como democracia temos o direito, somos eleitores. Basta fazer a coisa certa na hora certa. Agora baderna e quebradeira em nome da ordem e progresso é diferente.
Não é vergonhoso assumir que às vezes é difícil conter os nervos, só que extrapolar em casa é uma coisa e fora é outra.
Quero dizer com isso que, não há desculpa, para sairmos por aí chutando tudo a nossa frente.
Como nação vivemos em comunidade para usufruirmos dos bens, direitos e deveres de todos e como tal reconhecer que estamos interligados, quem não sabe viver em sociedade tem que procurar outro meio de convivência, na matas, para não machucar alguém, nem mesmo usar esta proximidade como uma desculpa para culpabilizar outros das tragédias pessoais.
Sabemos que nós todos passamos por circunstâncias que nos transformam, moldam-nos, e reagimos de maneiras diferentes a situações diferentes que enfrentamos,no entanto, ninguém tem culpa pelo que aconteceu para nós na vida...
Revolta pessoal deve ser tratada com terapia individualmente, não coletivamente para ser mais específico politicamente correto.Tenho uma coisa a dizer em relação aos convites para ir para rua; somos humanos, não monstros, como já disse, não é vergonhoso assumir que às vezes é difícil de conter os nervos. Entretanto, isso não é desculpa, para sairmos por aí chutando tudo a nossa frente. Como nação vivemos em comunidade para usufruirmos dos bens, direitos e deveres de todos e como tal reconhecer que estamos interligados, não para machucar alguém, nem mesmo usar esta proximidade como uma desculpa para culpabilizar outros das tragédias pessoais. Todos nós passamos por circunstâncias que nos transformam, moldam-nos, e reagimos de maneiras diferentes a situações diferentes que enfrentamos, no entanto, ninguém tem culpa pelo que aconteceu para nós na vida. Revolta pessoal deve ser tratada com terapia individualmente, não coletivamente para ser mais específico politicamente.